Fernandes & Parente

CID I64 no laudo: o que fazer com o código genérico do AVC

Por que esse código aparece na maioria dos laudos de AVC, o que ele prova e qual outro código precisa estar ao lado dele.

Verificar se tenho direito
328 avaliações no Google

Resposta rápida

O CID I64 é o acidente vascular cerebral não especificado como hemorrágico ou isquêmico, o código que entra no laudo quando o exame não distinguiu o tipo. Ele registra que o AVC aconteceu, mas não descreve a sequela, e é a sequela que decide a isenção. Procure no laudo os códigos G81, G82 ou I69: são eles que demonstram a paralisia irreversível e incapacitante prevista na Lei 7.713/88.

Quem procura o significado do CID I64 quase sempre está com um papel na mão: alta hospitalar, relatório de internação ou laudo de neurologia. O código está lá, sozinho, e não diz muita coisa. Ele aparece com muita frequência nos laudos justamente porque é o mais genérico: significa que houve um derrame e que o tipo não foi especificado. Para a isenção do Imposto de Renda, essa vagueza tem uma consequência prática que vale entender antes de pedir qualquer coisa. O I64 prova que o evento aconteceu, mas não prova o que interessa à lei.

Capa do guia do CID I64: isenção do imposto de renda no AVC sem tipo especificado, aposentado apoiado em bengala ao lado da filha

Por que esse código aparece em tantos laudos

O AVC tem dois tipos principais, e eles são opostos: o isquêmico, quando um coágulo entope uma artéria do cérebro (o infarto cerebral do I63), e o hemorrágico, quando um vaso se rompe (a hemorragia intracerebral do I61). Distinguir os dois exige exame de imagem, em geral a tomografia, e nem sempre essa definição fica registrada no documento que chega às mãos da família.

Três situações produzem o I64 com frequência:

  • O registro foi feito antes do exame conclusivo. Na entrada do pronto-socorro, o quadro é de AVC e o tipo ainda não se sabe. O código genérico entra ali e às vezes permanece em todos os documentos seguintes.
  • A imagem não distinguiu. Em AVCs antigos, ou em tomografias feitas fora da janela ideal, a diferenciação nem sempre é possível.
  • O evento é antigo. Quem teve o derrame há dez ou quinze anos muitas vezes não tem mais o prontuário da internação, e o médico atual registra o histórico com o código genérico, que é o mais honesto diante de uma informação que se perdeu.

Nada disso é erro médico nem descuido. É o funcionamento normal do sistema de codificação. E, para o direito à isenção, também não é problema: o tipo do AVC nunca foi o que decide.

Quer consultar outro diagnóstico? Use gratuitamente o Buscador de CID da Fernandes & Parente para verificar o significado do código e a sua possível relação com a isenção do Imposto de Renda.

O que o I64 prova e o que ele deixa de fora

Vale separar as duas informações que um laudo de AVC carrega. A primeira é o evento: aconteceu um derrame, em tal data. A segunda é a sequela: o que o cérebro perdeu de forma permanente depois disso e como isso limita a vida da pessoa.

O I64 responde só à primeira. Ele diz que houve um AVC e não diz nada sobre o estado atual do paciente. Uma pessoa que teve um AVC leve e voltou ao normal em três semanas e outra que ficou com metade do corpo paralisada podem carregar exatamente o mesmo código no papel. A lei da isenção olha para a segunda informação, e é por isso que um pedido apoiado apenas no I64 costuma ser negado.

O código não está na lei, mas a consequência dele está

A Lei 7.713/88, artigo 6º, inciso XIV, não menciona o acidente vascular cerebral em nenhuma linha, e é por isso que nenhuma tabela de códigos isentos traz o I64. A lei nomeia a paralisia irreversível e incapacitante, e é por essa porta que os casos de AVC entram. Vale entender o que o I64 é: um registro provisório. Ele informa que houve um derrame e que a imagem não separou hemorrágico de isquêmico. Descreve o episódio, não o que sobrou dele. Para a lei tributária, o episódio é irrelevante. O que importa é o déficit permanente que ficou. Um aposentado com hemiplegia documentada após o AVC preenche a hipótese legal, passa a receber o benefício livre do imposto e ainda pode rever as retenções do último quinquênio. Sem esse déficit descrito no laudo, o I64 isolado não sustenta pedido nenhum.

O rol inteiro está na página das doenças que isentam o Imposto de Renda, e o panorama do tema, no guia sobre AVC e a isenção do IR.

Procure no laudo o código da sequela

Este é o passo prático. Pegue o documento e veja se, ao lado do I64, aparece algum destes:

CódigoO que registra
G81Hemiplegia e hemiparesia (um lado do corpo comprometido)
G82Paraplegia e tetraplegia
I69Sequelas de doenças cerebrovasculares
F01Demência vascular, que entra por outra porta da lei, a da alienação mental

Se um deles está lá, o caso já tem a peça que faltava. Vale um alerta sobre o F01: ele não entra pela paralisia, e sim pela alienação mental, uma hipótese de prova mais exigente, que olha o comprometimento cognitivo global e não a perda de movimento. Se o que consta é só o F01, o caminho é outro. Se só existe o I64, o passo é pedir ao neurologista que acompanha o paciente um relatório descrevendo a situação atual: qual movimento se perdeu, o que a pessoa deixou de conseguir fazer sozinha, se o quadro é permanente e desde quando. O código da sequela costuma vir junto quando o médico é informado sobre a finalidade do documento. Os demais códigos estão reunidos na tabela de CIDs que isentam o IR, e o formato ideal do relatório, no guia do laudo médico para isenção.

As duas palavras que precisam estar escritas

A lei exige dois requisitos, e os dois precisam constar do laudo.

Irreversível quer dizer sem perspectiva de recuperação. Não é a mesma coisa que grave: é uma afirmação sobre o futuro, feita pelo médico, de que a perda motora se estabilizou e não deve voltar. Passados alguns anos do AVC, a medicina considera o quadro consolidado, e o neurologista costuma ter segurança para escrever isso.

Incapacitante quer dizer que a sequela impede ou limita gravemente as atividades. Aqui o que vale é a descrição concreta: precisa de ajuda para tomar banho, não consegue subir escada, perdeu a força da mão dominante, não anda sem apoio. Adjetivos vagos convencem pouco. Fatos convencem.

Duas súmulas ajudam nesse ponto. A Súmula 627 do STJ dispensa a demonstração de contemporaneidade dos sintomas e de recidiva, ou seja, a fisioterapia que trouxe alguma melhora e o quadro estabilizado não retiram o direito. E a Súmula 598 aceita, na via judicial, o laudo do médico particular que acompanha o paciente, sem exigir perícia oficial. O funcionamento da paralisia como hipótese legal está detalhado no artigo sobre paralisia irreversível e incapacitante.

Quando a resposta honesta é não

Nem todo AVC gera isenção, e dizer o contrário seria enganar quem procura ajuda. Boa parte dos pacientes se recupera bem: volta a andar, a falar, a dirigir, retoma a rotina com pouca ou nenhuma limitação. Uma recuperação assim é a melhor notícia possível, e ao mesmo tempo é o que afasta o enquadramento: sem paralisia irreversível e incapacitante, o pedido tende ao indeferimento.

A linha divisória não é o susto que o AVC causou nem o tempo de internação. É o que sobrou. Perda motora permanente em um lado do corpo, dificuldade séria de fala com repercussão nas atividades, dependência para atos da vida diária: aí o caso se sustenta. Recuperação completa registrada em relatório: aí não.

O retroativo quando o AVC é antigo e o laudo é recente

O reconhecimento da isenção olha para trás, não só para a frente. Os últimos cinco anos de imposto descontado da aposentadoria, da pensão ou da reforma podem ser restituídos, com correção pela Selic, a partir da data em que a sequela ficou documentada. E aqui o AVC tem uma peculiaridade a favor do contribuinte: o derrame quase sempre é antigo, a sequela ficou, e o desconto nunca parou de cair. Resultado: o retroativo tende a cobrir o quinquênio inteiro. Faça uma estimativa na calculadora do Imposto de Renda do aposentado e entenda o cálculo no guia da restituição por doença grave.

Vale ter claro um limite antes de começar. Pelo Tema 1.037 do STJ, a isenção alcança apenas os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma. Quem teve o AVC e segue trabalhando continua pagando imposto sobre o salário.

O caminho começa por onde a maioria não começa: olhar o laudo antes de pedir. Verificar se a sequela está descrita, se o caráter permanente está afirmado, se a data de início aparece, e só então conduzir o pedido pela via judicial, que é onde a isenção e o retroativo se garantem por inteiro. Nossa equipe faz essa análise gratuitamente, em todo o Brasil.

Para conferir qualquer outro código de um laudo, o buscador de CID mostra na hora se ele tem relação com a isenção.

Tire suas dúvidas

Perguntas frequentes

O que significa o CID I64?
É o acidente vascular cerebral não especificado como hemorrágico ou isquêmico. O médico usa esse código quando registra o AVC sem que o tipo tenha sido definido, seja porque o exame de imagem não distinguiu, seja porque o registro foi feito antes do resultado. Ele confirma o evento, não descreve o que ficou depois dele.
CID I64 dá direito à isenção do imposto de renda?
Sozinho, não. O AVC não está no rol da Lei 7.713/88. O que está no rol é a paralisia irreversível e incapacitante, e é ela que abre o direito. Se o AVC registrado no I64 deixou perda motora permanente descrita em laudo, o aposentado ou pensionista tem a isenção. Sem sequela incapacitante, o código isolado não sustenta o pedido.
Qual a diferença entre CID I64, I63 e I61?
O I63 é o infarto cerebral (AVC isquêmico, por entupimento) e o I61 é a hemorragia intracerebral (AVC hemorrágico, por rompimento). O I64 é usado quando essa distinção não foi feita. Para a isenção do Imposto de Renda os três valem o mesmo: nenhum está no rol, e em todos o direito depende da sequela.
Meu laudo tem só o CID I64. O que devo pedir ao médico?
Peça ao neurologista um relatório que descreva a sequela atual, com o código correspondente (G81 para hemiplegia, G82 para paraplegia ou tetraplegia, I69 para as sequelas de doenças cerebrovasculares), o caráter irreversível do quadro, a limitação nas atividades diárias e a data de início. É esse documento que sustenta o pedido.
Tive um AVC e me recuperei bem. Tenho isenção?
Provavelmente não. A lei exige paralisia irreversível e incapacitante, dois requisitos ao mesmo tempo. Quem voltou a andar, falar e cuidar de si sem limitação relevante em geral não se enquadra. Se restou perda motora permanente, mesmo parcial, vale levar o laudo para análise.
O médico pode trocar o I64 por um código mais específico depois?
Pode, e é comum. O I64 costuma ser o registro do momento agudo, antes de a investigação definir o tipo de AVC e as sequelas. Numa consulta posterior, o neurologista pode atualizar o laudo para I63 (infarto cerebral) ou incluir o código da sequela, como G81. Para a isenção, o que interessa é ter em mãos um documento atual que descreva a perda permanente, seja qual for o código que a acompanha.
Dr. Renato Parente Santos

Responsável técnico

Dr. Renato Parente Santos

OAB/DF 25.815 • Fernandes e Parente Advogados Associados

Advogado formado pelo IESB (2004), com pós-graduação em Direito Tributário (Fortium/DF). Depois de mais de 20 anos atuando em diversas áreas do Direito, encontrou sua verdadeira realização profissional nas causas de isenção do Imposto de Renda para aposentados e pensionistas portadores de doença grave (Lei 7.713/88), área a que hoje se dedica integralmente.

Perfil no LinkedIn

O laudo do seu AVC traz o CID I64?

Fale com nossa equipe jurídica: análise gratuita e sem compromisso, com advogados especialistas em isenção do Imposto de Renda. Atendimento em todo o Brasil.

Falar com a equipe jurídica