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CID G82: paraplegia e tetraplegia dão direito à isenção do IR?

A diferença entre paraplegia e tetraplegia na leitura da lei, o que o laudo precisa dizer e como recuperar cinco anos de imposto retido.

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Resposta rápida

Sim, quase sempre. O CID G82 registra a paraplegia (perda dos movimentos das pernas) e a tetraplegia (perda dos quatro membros). A Lei 7.713/88 lista a paralisia irreversível e incapacitante entre as doenças que isentam o Imposto de Renda, e esses dois quadros são o exemplo mais literal dessa hipótese. Quem recebe aposentadoria, pensão ou reforma com o G82 no laudo tem isenção total sobre o benefício e pode recuperar os últimos cinco anos.

Poucos códigos da CID-10 conversam tão diretamente com a lei da isenção quanto o G82. Ele registra a paraplegia e a tetraplegia, e a Lei 7.713/88 nomeia, entre as doenças que isentam o Imposto de Renda, a paralisia irreversível e incapacitante. Não há aqui um caminho indireto a percorrer, como acontece com códigos que só entram na lei pela consequência que produzem. A paralisia é o próprio diagnóstico. Ainda assim, muita família com esse código no laudo segue pagando imposto sobre a aposentadoria ou a pensão sem saber que não deveria. Este guia explica o enquadramento, o que o laudo precisa dizer e como recuperar o que já foi descontado.

Capa do guia do CID G82: isenção do imposto de renda na paraplegia e na tetraplegia, homem em cadeira de rodas em casa

Paraplegia e tetraplegia: o que o código G82 registra

O G82 reúne as paralisias que atingem os membros de forma simétrica, quase sempre por uma lesão na medula espinhal. A divisão é simples e importa para entender o laudo:

SubcódigoO que registra
G82.0Paraplegia flácida
G82.1Paraplegia espástica
G82.2Paraplegia não especificada
G82.3Tetraplegia flácida
G82.4Tetraplegia espástica
G82.5Tetraplegia não especificada

A paraplegia compromete os membros inferiores: as pernas param, o tronco e os braços em geral respondem. A tetraplegia (também chamada de quadriplegia) alcança os quatro membros, com perda que sobe do quadril até os ombros e as mãos. Os termos flácida e espástica descrevem o comportamento do músculo paralisado, mole ou rígido, e dizem respeito à fase e ao nível da lesão, não à gravidade jurídica do quadro.

Códigos vizinhos aparecem em laudos parecidos: o G80 é a paralisia cerebral, de origem congênita, tratada no guia do CID G80, o G81 é a hemiplegia, a paralisia de um lado do corpo, e o G83 reúne as outras síndromes paralíticas, como a monoplegia de um só membro. Outros códigos do rol estão na tabela de CIDs que isentam o IR.

Quer consultar outro diagnóstico? Use gratuitamente o Buscador de CID da Fernandes & Parente para verificar o significado do código e a sua possível relação com a isenção do Imposto de Renda.

O que decide o direito: a medula, não a altura da lesão

Quase todo G82 nasce de uma lesão na medula espinhal, o feixe de nervos que atravessa a coluna e leva as ordens do cérebro ao corpo. O que define se a pessoa ficará paraplégica ou tetraplégica é a altura dessa lesão. Quando o dano ocorre na região torácica ou lombar, abaixo dos nervos que comandam os braços, o comprometimento fica nas pernas. Quando ocorre na coluna cervical, no pescoço, os quatro membros são atingidos.

Essa diferença muda muita coisa na vida prática: o grau de dependência, a necessidade de cuidador, a adaptação da casa, o controle da respiração nas lesões cervicais altas. Para a lei tributária, porém, ela não separa quem tem direito de quem não tem. Tanto a paraplegia quanto a tetraplegia preenchem a mesma hipótese legal. A extensão maior da tetraplegia torna a incapacidade ainda mais evidente no papel, mas a paraplegia, sozinha, já basta: perder os movimentos das pernas de forma definitiva é paralisia irreversível e incapacitante em qualquer leitura honesta do texto.

O que a Lei 7.713/88 diz sobre a paralisia do CID G82

A Lei 7.713/88, artigo 6º, inciso XIV, prevê a isenção para a paralisia irreversível e incapacitante, e a paraplegia e a tetraplegia do G82 são a expressão mais literal dessa previsão. Não há analogia a construir: a condição descrita no código é a condição escrita na norma. Some-se a isso uma vantagem prática que outros quadros não têm. A lesão medular costuma vir acompanhada de documentação farta, com prontuário de internação, exames de imagem da coluna e relatórios de reabilitação, o que torna a prova da irreversibilidade menos disputada do que em doenças de curso flutuante. Por isso este é um dos enquadramentos que a Receita raramente questiona. Reconhecido o direito, cessa a retenção sobre a aposentadoria, a pensão ou a reforma, e os valores descontados nos cinco anos anteriores podem ser recuperados com correção pela Selic.

O rol completo está na página de doenças que isentam o Imposto de Renda, e o panorama de todas as formas de paralisia, no guia da paralisia irreversível e incapacitante.

Acidente, tumor, mielite: a causa não interessa à lei

As origens do G82 são muitas. O trauma raquimedular responde pela maior parte: acidentes de trânsito, quedas de altura, mergulhos em água rasa, ferimentos por arma de fogo. Mas a mesma paralisia pode vir de um tumor que comprime a medula, de uma mielite transversa, de um surto de esclerose múltipla, de uma complicação cirúrgica na coluna ou de uma isquemia medular. As sequelas de um derrame seguem por outro código e estão explicadas no guia sobre a isenção após o AVC.

Nada disso muda o resultado tributário. A Lei 7.713/88 não pergunta como a pessoa chegou até ali. Ela pergunta duas coisas apenas: a paralisia é irreversível, e ela incapacita? O motorista que bateu na estrada, o paciente que teve um tumor removido tarde demais e o jovem que mergulhou onde não devia estão exatamente na mesma posição diante da lei. Isso simplifica o pedido e evita uma discussão que nunca deveria acontecer.

Um enquadramento que a Receita raramente contesta

Vale dizer com clareza, porque é raro poder dizer: este é um dos quadros mais tranquilos de toda a isenção por doença grave. Nas hipóteses que dependem de interpretação, a negativa é comum, e a discussão sobre gravidade se arrasta. Com o G82, o laudo descreve a mesma coisa que a lei nomeia, e não sobra muito espaço para questionar.

Isso não significa que o pedido se resolve sozinho. As dificuldades costumam aparecer em dois pontos. O primeiro é a data de início do direito, que define o tamanho do retroativo e frequentemente é empurrada para a frente pela fonte pagadora. O segundo é a alegação de melhora depois da reabilitação, que não se sustenta: a Súmula 627 do STJ dispensa a demonstração de contemporaneidade dos sintomas e de recidiva, de modo que ganhar autonomia com fisioterapia jamais retira o direito de quem tem uma lesão medular estabelecida.

O que o laudo precisa dizer, palavra por palavra

O documento decisivo é o relatório do neurologista, do neurocirurgião ou do fisiatra que acompanha o paciente. Quatro elementos fazem um caso sólido:

  • O diagnóstico com o CID, indicando o subcódigo e o nível da lesão medular (por exemplo, lesão cervical em C5 ou torácica em T10);
  • O termo irreversível, escrito assim, registrando que não há perspectiva de recuperação dos movimentos;
  • O caráter incapacitante, descrito na prática: dependência para as atividades diárias, uso de cadeira de rodas, necessidade de cuidador, alterações vesicais e intestinais;
  • A data de início da paralisia, que costuma ser a data do acidente, da cirurgia ou do diagnóstico da doença de base.

Esse último item é o que mais pesa no bolso, e é justamente o mais esquecido. O formato completo do documento está no guia sobre o laudo médico para isenção.

A data da lesão medular define o tamanho do retroativo

A restituição é a outra metade do direito. Os últimos cinco anos de imposto descontado da aposentadoria, da pensão ou da reforma podem ser devolvidos, com correção pela Selic, a partir da data de início registrada no laudo. A lesão medular joga a favor nesse ponto: como quase sempre tem uma data exata anotada no prontuário de internação, o marco é simples de provar e o retroativo tende a alcançar todo o período. O direito também alcança a suplementação de fundo de pensão vinculada à aposentadoria. Para uma noção rápida dos valores, use a calculadora do Imposto de Renda do aposentado e veja o cálculo detalhado no guia da restituição por doença grave.

Se alguém da sua família convive com paraplegia ou tetraplegia e recebe aposentadoria, pensão ou reforma, o passo seguinte é simples: reunir o laudo, o comprovante do benefício e os informes de rendimentos, e colocar tudo diante de quem conhece o que os tribunais exigem. Nossa equipe faz essa análise gratuitamente, em todo o Brasil.

Para conferir qualquer outro código de um laudo, o buscador de CID mostra na hora se ele tem relação com a isenção.

Tire suas dúvidas

Perguntas frequentes

CID G82 dá direito à isenção do imposto de renda?
Sim, quando a pessoa recebe aposentadoria, pensão ou reforma. A paraplegia e a tetraplegia são formas de paralisia irreversível e incapacitante, hipótese que está literalmente no artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88. É um dos enquadramentos menos contestados que existem, porque o laudo descreve exatamente o que a lei nomeia.
Qual a diferença entre CID G82.2 e G82.5?
O G82.2 é a paraplegia não especificada, a perda dos movimentos dos membros inferiores sem definição entre a forma flácida e a espástica. O G82.5 é a tetraplegia não especificada, com os quatro membros comprometidos. Para o Imposto de Renda, os dois se enquadram na mesma hipótese legal: o que muda é a extensão da perda, não o direito.
Paraplegia por acidente de trânsito dá isenção?
Dá. A lei tributária não pergunta a causa da lesão medular. Acidente de trânsito, queda, ferimento por arma de fogo, tumor na medula ou mielite levam ao mesmo lugar: o que importa é a paralisia ser irreversível e incapacitante, e o laudo precisa afirmar as duas coisas com essas palavras.
Quem usa cadeira de rodas e trabalha tem isenção sobre o salário?
Não. O STJ definiu no Tema 1.037 que a isenção da Lei 7.713/88 alcança apenas proventos de aposentadoria, pensão ou reforma. O salário de quem segue na ativa continua tributado, ainda que a tetraplegia esteja documentada. Concedida a aposentadoria, o direito passa a existir sobre o benefício.
Faço fisioterapia e recuperei alguns movimentos. Perco a isenção?
Não. A Súmula 627 do STJ dispensa a demonstração de sintomas atuais e de recidiva. Ganhar força no tronco, sentar sem apoio ou dirigir com adaptação não desfaz uma lesão medular, e a reabilitação bem conduzida nunca pode ser motivo para retirar o direito de quem correu atrás do tratamento.
Preciso de perícia oficial para comprovar o CID G82?
Na via judicial, não. A Súmula 598 do STJ aceita o laudo de médico particular, dispensada a perícia oficial. O relatório do neurologista, do neurocirurgião ou do fisiatra que acompanha o paciente costuma descrever a lesão medular com muito mais precisão do que um exame pericial de poucos minutos.
Dr. Renato Parente Santos

Responsável técnico

Dr. Renato Parente Santos

OAB/DF 25.815 • Fernandes e Parente Advogados Associados

Advogado formado pelo IESB (2004), com pós-graduação em Direito Tributário (Fortium/DF). Depois de mais de 20 anos atuando em diversas áreas do Direito, encontrou sua verdadeira realização profissional nas causas de isenção do Imposto de Renda para aposentados e pensionistas portadores de doença grave (Lei 7.713/88), área a que hoje se dedica integralmente.

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