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CID C67 é câncer de bexiga: quando há isenção do imposto de renda

O que o código do laudo significa, por que o câncer de bexiga isenta em qualquer estágio e como recuperar os últimos cinco anos.

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O CID C67 é o código do câncer de bexiga, uma neoplasia maligna que integra o rol da Lei 7.713/88. O aposentado, pensionista ou militar reformado com esse diagnóstico tem isenção total do Imposto de Renda sobre o benefício, em qualquer estágio e mesmo depois da retirada da bexiga ou já curado, como garante a Súmula 627 do STJ. O imposto retido nos últimos cinco anos também pode voltar, com correção pela Selic.

O CID C67 costuma aparecer no laudo depois de um exame que ninguém queria fazer. Quase sempre há sangue na urina antes, o sinal clássico que levou o médico a investigar. É o código do câncer de bexiga, um tumor de perfil muito marcante: oito em cada dez internações por essa doença são de pessoas com 60 anos ou mais (DATASUS/SIH, 2025), o que faz dele quase um câncer da terceira idade. Na prática, o diagnóstico chega quando a pessoa já está aposentada. E aí surge um direito que poucos conhecem: a isenção total do Imposto de Renda sobre o benefício, com a devolução do que foi descontado nos últimos cinco anos.

Capa do guia do CID C67: isenção do imposto de renda no câncer de bexiga, aposentado idoso

O que o CID C67 registra no laudo

O C67 é o código da neoplasia maligna da bexiga na Classificação Internacional de Doenças (CID-10). O dígito depois do ponto informa em que parte da bexiga o tumor foi encontrado:

SubcódigoLocal do tumor
C67.0Trígono da bexiga
C67.1Cúpula da bexiga
C67.2Parede lateral
C67.3Parede anterior
C67.4Parede posterior
C67.5Colo da bexiga
C67.6Orifício do ureter
C67.8Lesão que ultrapassa uma região
C67.9Bexiga, não especificada (o mais comum)

Para o direito à isenção, o número depois do ponto não faz diferença: todos os subcódigos descrevem a mesma doença. O que costuma acompanhar o código no laudo é o grau do tumor e a informação se ele é superficial ou já invadiu a camada muscular da bexiga, dados que orientam o tratamento, mas não mudam o enquadramento jurídico. Os demais códigos que geram o benefício estão na tabela de CIDs que isentam o IR.

Um câncer da terceira idade, ligado ao cigarro e ao trabalho

O câncer de bexiga tem endereço certo: atinge sobretudo homens mais velhos, e a concentração no idoso é uma das mais altas entre todos os tumores. As causas mais conhecidas ajudam a entender esse perfil. O tabagismo, mesmo o antigo, de quem parou há décadas, responde pela maior parte dos casos, e a exposição ocupacional a certas substâncias, comum em quem trabalhou na indústria, na pintura ou com corantes, é outro fator de peso. São exposições que cobram a conta tarde, já na aposentadoria.

Há ainda uma característica que muda o rumo da vida do paciente: a recidiva. O câncer de bexiga volta com frequência, o que obriga a um acompanhamento longo, com cistoscopias periódicas por anos. Esse controle prolongado, importante saber, não interfere no direito à isenção. Ao contrário, mostra que a doença faz parte da história do paciente. O guia geral da doença, com todos os órgãos, está no artigo sobre a isenção do IR para pacientes com câncer.

Câncer de bexiga isenta o imposto de renda em qualquer estágio

Do tumor superficial ao que já invadiu a musculatura, o câncer de bexiga isenta em qualquer estágio, e é o CID C67 no laudo que dispara esse direito. A razão está na Lei 7.713/88, artigo 6º, inciso XIV, que inclui a neoplasia maligna entre as doenças graves e livra do Imposto de Renda a aposentadoria, a pensão ou a reforma de quem a tem. O que a lei mede é a malignidade confirmada na biópsia, não a extensão do tumor: um caso tratado só por ressecção pela uretra rende o mesmo direito de outro que exigiu a retirada da bexiga. A isenção é total sobre o benefício, sem limite de valor, e a recidiva frequente, tão comum nessa doença, em nada a reduz. Nem a cura a encerra, porque a Súmula 627 do STJ mantém o direito sem exigir sinal atual da doença.

Há, no entanto, dois limites que convém conhecer. O primeiro: a isenção alcança apenas os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, nunca o salário de quem segue na ativa, entendimento firmado pelo Tema 1.037 do STJ. O segundo diz respeito à prova: na via judicial, a Súmula 598 do STJ dispensa a perícia oficial e aceita o laudo do urologista ou do oncologista particular que acompanha o caso. O rol completo das doenças está na página de doenças que isentam o Imposto de Renda.

Retirou a bexiga ou está em remissão? A lei fica do lado do aposentado

Aqui mora a negativa administrativa mais comum nesses casos. O paciente que tratou o tumor, seguiu com o controle e hoje está sem sinal da doença ouve que “não há mais doença atual”. O raciocínio não se sustenta.

A Súmula 627 do STJ firmou que a isenção não exige a demonstração de sintomas atuais nem de recidiva. Quem enfrentou o câncer de bexiga, fez a ressecção, passou pela imunoterapia dentro da bexiga ou chegou até a cistectomia, a retirada do órgão, com o uso de bolsa de urina, mantém o direito por inteiro. Nada disso é requisito extra: são consequências do próprio câncer. A isenção se prende ao diagnóstico de neoplasia maligna registrado no laudo, e não ao estado de saúde do contribuinte no dia em que protocola o pedido. A prova central é o laudo da biópsia com o CID C67, somado aos relatórios médicos e ao histórico do tratamento. O que esse documento precisa conter está no guia do laudo médico para isenção.

Carcinoma in situ e a confirmação da malignidade

Um ponto merece honestidade, porque aparece com frequência nos laudos de bexiga. O carcinoma in situ é um tumor que ainda não invadiu as camadas mais profundas, e por ser um estágio muito inicial pode gerar discussão sobre o enquadramento. A boa notícia é que o carcinoma in situ da bexiga é reconhecido como uma forma agressiva e maligna, tratada como câncer pela medicina.

Ainda assim, o que resolve qualquer dúvida é o laudo. Ele precisa confirmar, com todas as letras, a natureza maligna do tumor, algo que o exame anatomopatológico da biópsia demonstra. Lesões descritas apenas como benignas ou sem confirmação de malignidade ficam de fora do benefício. Por isso a análise começa sempre pela leitura atenta da documentação médica, e não pela pressa de protocolar o pedido.

Cistoscopia, biópsia e os cinco anos que voltam

Confirmada a isenção, o desconto cessa de imediato, e o passado também entra na conta. Convém distinguir dois marcos: a data da biópsia que confirmou o câncer de bexiga fixa o início do direito, o momento a partir do qual o benefício já deveria sair sem imposto. A devolução, por sua vez, segue o prazo do artigo 168 do CTN e alcança os últimos cinco anos de imposto retido, contados de trás para frente a partir do pedido, e não da data do diagnóstico.

Como o câncer de bexiga aparece já na terceira idade, o benefício em geral está sendo tributado há tempos, e o retroativo tende a cobrir o período todo. Faça uma estimativa na calculadora do Imposto de Renda do aposentado e entenda o cálculo no guia da restituição por doença grave.

Vale começar pela documentação: confirmar que o laudo da biópsia e o histórico do tratamento na bexiga sustentam o direito, precisar a data do diagnóstico e definir a via que recupera a isenção e todo o retroativo. Nossa equipe faz essa análise gratuitamente, em todo o Brasil.

Tire suas dúvidas

Perguntas frequentes

CID C67 dá direito à isenção do imposto de renda?
Sim. O código identifica o câncer de bexiga, que é uma neoplasia maligna, doença listada na Lei 7.713/88. O aposentado, pensionista ou militar reformado com esse diagnóstico tem isenção total do Imposto de Renda sobre o benefício, sem limite de valor e sem exigência de estágio avançado.
O que significa CID C67.9?
É o câncer de bexiga sem especificação da parede ou região exata do tumor, o subcódigo mais frequente nos laudos. O dígito depois do ponto indica apenas o ponto da bexiga atingido e não muda o direito: qualquer C67 é neoplasia maligna para a lei da isenção.
Câncer de bexiga curado ainda dá direito à isenção?
Dá. A Súmula 627 do STJ mantém a isenção sem exigir sintomas atuais nem recidiva. Quem tratou o tumor, terminou a imunoterapia na bexiga ou está em acompanhamento sem sinal da doença continua com o direito, mesmo anos depois da alta.
Câncer de bexiga em estágio inicial isenta o imposto de renda?
Sim. A lei fala em neoplasia maligna, sem pedir estágio avançado. Um tumor superficial tratado só por ressecção pela uretra tem o mesmo direito de um caso que exigiu a retirada da bexiga. O que importa é a malignidade confirmada na biópsia.
Tirei a bexiga e uso bolsa. Tenho direito à isenção?
Tem. A cistectomia e a bolsa de urina são consequência do câncer, não um requisito à parte. O diagnóstico de neoplasia maligna documentado já garante a isenção do Imposto de Renda sobre a aposentadoria, a pensão ou a reforma.
Câncer de bexiga dá aposentadoria?
Pode dar, quando incapacita quem ainda trabalha, mas isso é uma discussão previdenciária que passa por perícia. A isenção do IR é outro direito: vale para qualquer aposentadoria ou pensão que a pessoa já receba, por idade ou por tempo de contribuição, sem relação com a origem do benefício.
Dr. Renato Parente Santos

Responsável técnico

Dr. Renato Parente Santos

OAB/DF 25.815 • Fernandes e Parente Advogados Associados

Advogado formado pelo IESB (2004), com pós-graduação em Direito Tributário (Fortium/DF). Depois de mais de 20 anos atuando em diversas áreas do Direito, encontrou sua verdadeira realização profissional nas causas de isenção do Imposto de Renda para aposentados e pensionistas portadores de doença grave (Lei 7.713/88), área a que hoje se dedica integralmente.

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